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12 filmes legitimamente baianos que você precisa assistir

A Bahia é um rico cenário para a produção de filmes nacionais. Para você que não está familiarizado, confira essa lista e conheça grandes histórias baianas feitas e gravadas aqui

Desde que foi inventado, em 1895, o cinema é uma forma de entretenimento a fim de emocionar, alegrar e surpreender o público. Desde personagens marcantes com características que podem ter um leve tom cultural, seja nas gírias ou no sotaque, no modo de viver ou através de fatos relembrados de acordo com seu lugar de origem. A importância cultural envolta à sétima arte é muito grande, pois é através dela que descobrimos os costumes de outras terras e culturas. Os filmes são capazes de mostrar ao público o que não pode ser visto na realidade, além de ser naturalmente uma poderosa ferramenta para instrução, educação e reflexão humana.

A Bahia, além de possuir um cenário de beleza natural, é pioneira quando se trata de grandes produções audiovisuais brasileiras. Cineastas renomados, atores e filmes feitos aqui são considerados verdadeiros clássicos para o cinema nacional, e para destacar a importância disso, selecionamos para vocês longas-metragens que mostram a cultura e a riqueza do nosso estado eternizando nas telas personagens fortes com histórias inesquecíveis. Confira:

 

1 – O Pagador de Promessas (1962)

Considerado um dos filmes mais importantes do Brasil, foi a única produção brasileira a a conquistar a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na França, um dos mais importantes prêmios cinematográficos do mundo. Conta a história de Zé do Burro, um homem humilde dono de um pequeno pedaço de terra no interior da Bahia. Seu melhor amigo é um burro chamado Nicolau. Quando este adoece e não se consegue fazer nada para que o animal melhore, ele faz uma promessa a uma Mãe de Santo do Candomblé. Se o seu burro se recuperasse, pagaria a promessa de dividir sua terra igualmente entre os mais pobres, carregando uma cruz desde sua terra até a Igreja de Santa Bárbara em Salvador, onde a oferecerá ao padre local.

 

2 – Barravento (1962) 

O diretor Glauber Rocha foi um dos mais importantes cineastas baianos do país. Em sua carreira, produziu grandes filmes aclamados pela crítica como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963), Terra em Transe (1967) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969). Barravento foi seu primeiro longa-metragem e as filmagens foram feitas na praia do Buraquinho em Itapuã. Conta a história de uma aldeia de pescadores de xeréu, cujos antepassados vieram da África como escravos, permanecem antigos cultos místicos ligados ao candomblé. Firmino, interpretado pelo ator Antônio Pitanga, é um antigo morador, que foi para Salvador na tentativa de escapar da pobreza. Ao retornar ele sente atração por Cota, ao mesmo tempo em que não consegue esquecer sua antiga paixão, Naína, que, por sua vez, gosta de Aruã. Firmino encomenda um despacho contra Aruã, que não é atingido. O alvo termina sendo a própria aldeia, que passa a ser impedida de pescar.

 

3 – Meteorango Kid – Herói Intergalático (1969)

Um verdadeiro clássico do cinema marginal e underground baiano, o filme dirigido por André Luiz Oliveira ganhou vários prêmios como Melhor Filme -Segundo Júri Popular no Festival de Brasília, Margarida de Prata da CNBB, Ofício Católico Internacional de Cinema e Festival de Pésaro na Itália.  Narra as aventuras de Lula, um estudante universitário, no dia do seu aniversário. De forma absolutamente despojada, mostra, sem rodeios, o perfil de um jovem desesperado, representante de uma geração oprimida pela ditadura militar e pela moral retrógrada de uma sociedade passiva e hipócrita. O anti-herói intergalático atravessa este labirinto cotidiano através das suas fantasias e delírios libertários, deixando atrás de si um rastro de inconformismo e um convite à rebelião em todos os níveis.

 

4 – Boi Aruá (1983)

O primeiro desenho animado baiano dirigido por Chico Liberato. Passou por festivais europeus, sendo agraciado pela UNESCO com a láurea de ”Referência de Valores Culturais para a Infância e Juventude”. Baseado no folclore sertanejo, a animação narra a história de um fazendeiro arrogante, cujo o poder é desafiado sete vezes pela figura fantástica do Boi Aruá. Levou dois anos para ficar pronto, contando com 25 mil desenhos e 16 equipes para finalizar o projeto.

 

5 – Gabriela (1983)

Muitas das obras do grandioso escritor baiano Jorge Amado foram eternizadas nas telonas e também adaptadas para a televisão. Algumas delas você vai encontrar nessa lista como esta que foi uma das personagens mais marcantes do Brasil: Gabriela. Interpretada por Sônia Braga, o longa mostra a chegada de Gabriela na cidade de Ilhéus, em 1925. Ela fugia de uma das maiores secas da história do Nordeste. Com sua beleza e sensualidade, ela conquista a todos os homens da cidade, especialmente Nacib, o proprietário do bar mais popular da região. Gabriela vai trabalhar para Nacib e os dois iniciam um relacionamento que fica tão intenso que eles acabam por se casar. Porém, tudo muda quando Gabriela o trai com Tonico Bastos, o maior mulherengo e conquistador da cidade.

 

6 – SuperOutro (1989)

Outro grande cineasta soteropolitano conhecido pelo público, Edgar Navarro tem em seu currículo filmes importantes como Eu me Lembro (2005), O Homem que não Dormia (2011) e Abaixo a Gravidade (2015). SuperOutro foi seu primeiro curta-metragem e conta a história de um anti-herói louco e esquizofrênico cuja missão é voar. O filme também venceu vários prêmios e até o de Melhor Direção no Festival de Gramado.

 

7 – Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976)

Outro importante filme baseado nas obras de Jorge Amado, e também com Sônia Braga no papel principal, Dona Flor e seus Dois Maridos foi por 34 anos recordista de público entre filmes do Brasil, levando mais 10 milhões de espectadores aos cinemas. A história se passa em 1940 com foco em Dona Flor, sedutora professora de culinária em Salvador, casada com o malandro Vadinho, que só quer saber de farras e jogatina nas boates da cidade. A vida de abusos e noites em claro acaba por acarretar sua morte precoce num domingo de Carnaval de 1943, deixando Dona Flor viúva. Logo ela se casa de novo, com o recatado e pacífico farmacêutico da cidade. Com saudades do antigo marido que apesar dos defeitos era um ótimo amante, acaba causando o retorno dele em espírito, que só ela vê. Isso deixa a mulher em dúvida sobre o que fazer com os dois maridos que passam a dividir o seu leito.

 

8 – Tieta do Agreste (1996)

Após a morte do marido, um rico industrial paulista, Tieta retorna a sua terra natal, a pequena cidadezinha de Sant’Ana do Agreste no árido sertão baiano, após 26 anos de ausência. Sua volta causa certa apreensão na família, uma vez que aos 17 anos, Tieta saíra escorraçada de casa pelo pai Zé Esteves, movido pelas intrigas de Perpétua, sua irmã mais velha. Desde a sua partida, o único contato de Tieta com a família era através de cartas que tinham como remetente uma caixa postal em São Paulo. Além da correspondência, controlada por Carmô, funcionária dos correios e a solteirona mais alegre da cidade, Tieta também enviava ajuda financeira para o pai, as irmãs Perpétua e Elisa e para os sobrinhos.

 

9 – Cidade Baixa (2005)

Dirigido por Sérgio Machado e com um elenco baiano de peso, o filme mostra um triângulo amoroso entre uma prostituta e dois homens que fazem transporte marítimo que seguem para a Cidade Baixa de Salvador. Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) se conhecem desde garotos, sendo difícil até mesmo falar em um sem se lembrar do outro. Eles ganham a vida fazendo fretes e aplicando pequenos golpes a bordo do Dany Boy, um barco a vapor que compraram em parceria. Um dia surge Karinna (Alice Braga), uma stripper que deseja arranjar um gringo endinheirado no carnaval de Salvador a quem a dupla dá uma carona. Entre as dificuldades de relacionamento, o filme mostra o cotidiano das pessoas dessa região, retratando a pobreza, drogas, prostituição e violência.

 

10 – Ó Paí, Ó (2007)

Um dos filmes sobre a cidade de Salvador mais famosos dos últimos anos. Dirigido por Monique Gardenberg e com roteiro baseado em uma peça de Márcio Meirelles, tem como coordenador de trilha sonora nada menos que Caetano Veloso. Foi estrelado, em sua maioria, por atores do Bando de Teatro Olodum. Conta a história dos moradores de um animado cortiço do centro histórico do Pelourinho. Tudo se passa no último dia do Carnaval, em meio a muita música, dança e alegria. Até que Dona Joana, uma evangélica, incomodada com a farra dos condôminos, decide acabar com a festa, fechando o registro de água do prédio. Embora contenha um tom de comédia, este filme revela um lado desconhecido da cidade de Salvador, do seu carnaval e o contraste social. Toca em assuntos como violência, drogas, mídia, preconceito e racismo.

 

11 – Capitães de Areia (2011)

Mais uma história de Jorge Amado que foi eternizada no cinema graças à sua neta Cecília Amado, que assumiu a direção do filme. No ano de seu lançamento completava 10 anos desde a morte do autor e se tornou o marco inicial das comemorações de seu centenário. O longa aborda a vida de meninos abandonados que viviam em um trapiche na década de 1930, onde Pedro Bala é o líder destes meninos que praticavam assaltos na cidade de Salvador.

 

12 – Quincas Berro D’Água (2010) 

Quincas (Paulo José) é um funcionário público cansado da vida que leva. Um dia ele resolve deixar sua família de lado e cair na farra, ganhando fama como Quincas Berro D’Água, o rei dos vagabundos. Quando ele é encontrado morto em seu quarto, sua família resolve apagar os vestígios de sua fase arruaceira e lhe dar um enterro respeitável. Só que seus amigos surgem no local e decidem levá-lo para uma última farra.

 

Bônus: Café com Canela (2017)

O filme baiano Café com Canela conquistou três prêmios na 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Conta a história de Margarida, uma mulher que pela dor de perder seu filho, vive isolada, no Recôncavo da Bahia, São Félix e reencontra Violeta, que vive na cidade de Cachoeira, também marcada pelo luto. E nos encontros, entre faxinas e cafés, é possível ver uma transformação na vida das duas. A produção de Ary Rosa e Glenda Nicácio mostra o valor da amizade e do afeto, mas também trata de ancestralidade e questões como machismo e homofobia, além de explorar uma respeitosa relação com as cidades do Recôncavo.

Viva o cinema baiano!

 

Thaís Muniz

Goianiense de sangue e baiana de coração. Sempre foi apaixonada por Salvador e sua cultura única, onde pulou muitos carnavais. Jornalista e leitora assídua, busca usar o jornalismo em prol do entretenimento e cultura. E nas horas vagas arrisca em escrever algumas histórias.


2 comentários

  • Paulo Ricardo Silva Rodrigues

    6 de julho de 2018 às 01:24

    Vale a pena conferir a obra italo-baiana Contracorrente!!! Acho massa!

    Responder

    • Thaís Muniz

      10 de julho de 2018 às 14:08

      Oi Paulo Ricardo, vou anotar a sua sugestão! Obrigada

      Responder

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