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Conheça 6 DJs que agitam as pistas de Salvador

Contamos um pouco como 6 DJs baianos iniciaram suas carreiras, suas preferências musicais e momentos marcantes discotecando pelas cidades

Não é novidade pra ninguém o constante crescimento da música eletrônica e discotecagem em todo o mundo. São inúmeros festivais, casas noturnas e festas residenciais em que está ali um DJ pra animar a festa com um repertório musical dos mais variados. Em Salvador não poderia ser diferente, e destacamos seis artistas que estão “bombando” na cidade e também em vários lugares do país.

Telefunksoul

Mauro é DJ desde 1992 e contou pra gente sobre seu interesse por música, que se iniciou com 10 pra 11 anos, quando já comprava discos com a grana da merenda e se interessava por rap, heavy metal e rock brasileiro. Ganhou seu primeiro disco de Funk Soul, o Sex Machine do James Brown, doado pelo tio também de nome Mauro. Seu nome artístico, Mauro Telefunksoul, foi dado pelo vocalista da banda Zambotronic, banda que ele  tocava à época no início dos anos 2000.

Sobre os estilos musicais presentes em seu repertório, o mesmo afirmou que a pluralidade e a diversidade tomam conta dos seus sets:

Hoje sou aberto a musica boa, gosto de rap, de bass, reggae, house, ska, jazz, mpb, rock …. até brega bateu sentimento eu toco sem medo, sou capaz de misturar qualquer estilo e qualquer bpm, meu trabalho como dj é de Turnabilista (usar o tocadiscos como instrumento musical), adoro misturar de 2 a 3 músicas simultaneamente”

Muitas festas importantes em uma longa estrada

Ao ser questionado sobre algumas das festas mais importantes que participou, Telefunksoul foi categórico ao dizer que ao longo de uma estrada tão longa é difícil destacá-las, mas citou tocar no Camarote Salvador, Expresso 2222 do Gil, os eventos da Budweiser na Copa do Mundo 2018 e disputar a final Nacional do RedBull 3 style em Porto Alegre, concorrendo uma vaga pro mundial em Chicago.

Ainda falando sobre festas, Telefunksoul orgulha-se de ser idealizador das primeiras festas dedicadas a Bass music em Salvador, como a DB e logo em seguida Dbreaks. Em 2014 ele criou o Bahia Bass, estilo que soma o grave da Bass music com a musicalidade baiana, virando notícia no mundo inteiro e sendo divulgado em vários sites de música eletrônica mundial.

Perguntado sobre participações marcantes na sua carreira, ele disse:

 Tocar com Elza Soares, dividir o palco com ela é sensacional, e também tocar no trio camarote andante com o cacique Brown”

Sempre muito grato a todos que participam da sua jornada, abaixo destacamos links para seus dois álbuns, o primeiro (AfroxéBa$$, álbum tributo dedicado aos blocos afro e afoxé da Bahia) em parceria com André T e o segundo (Ré_con Ba$$) em parceria com o músico Felipe Pomar pelo selo Kafundó Records, em homenagem ao recôncavo baiano.

https://soundcloud.com/djmaurotelefunksoul/sets/afroxeba-tributos-aos-blocos 
https://soundcloud.com/djmaurotelefunksoul/sets/telefunksoul-felipe-pomar 

Instagram: @telefunksoul

 

DJ Ana Julieta

Ana Julieta começou a gostar de música com seu pai coruja, aquele “rockeiro com cd do olodum em casa” e que até hoje acompanha a filha em diversos rolês. Já o caminho dela até se tornar DJ foi uma consequência das festas que produzia na Faculdade de Arquitetura com seu amigo Eduardo Colares. Foi ele, inclusive, seu maior incentivador à aprender, até para que ela pudesse tocar nas mesmas festas que produziam.

Sócia da SAN e Emponderamento feminino na música 

Ana Julieta é sócia da San (@sanboate) e cuida de toda programação da casa, uma das grandes referências em Salvador ligada ao público LGBT. Ela destaca as festas Badauê, sendo uma das que mais gosta de tocar e que só ocorre no verão, e a festa Polêmica, sobre a qual ela diz:

A Polêmica é uma festa pra você se acabar, realmente polemizar, acabar com tudo, chocar essa sociedade brasileira”

Um destaque especial é a Festa “Menina Veneno”, aberta ao público geral, mas  composta 100% de integrantes mulheres, das DJs à equipe de segurança.

Já sobre o que costuma tocar, Ana diz que tem dois formatos: a música eletrônica e o open format, que é basicamente tocar todos os estilos. É uma espécie de sentir a vibe do momento na pista e tocar o que vem à cabeça. Além disso, ela fala de momentos marcantes durante suas apresentações, que geralmente ocorrem quando ela toca músicas antigas que ninguém espera.

Dois de fevereiro mesmo eu pude ver isso quando toquei Anunciação de Alceu Valença e o pessoal foi à loucura, não tem momento mais marcante do que tocar uma música antiga e que ainda está na memória das pessoas, parece que corre uma energia pelo ar, é impressionante”

Veja stories dela tocando: Instagram

 

Roger N Roll

Falar da história de Roger em Salvador é falar de tradição. Ele começou como muitos do ramo musical, através da produção de eventos, como a festa Leões Caminhadores, nome atrelado a seu gosto pessoal, o Reggae. Neste e outros eventos, bandas como Diamba, Morrão Fumegante, Edson Gomes, Otto, Mundo Livre S.A, Pato Fu, Planet Hemp, Raimundos, dentre outros, fizeram presença e ajudaram a construir a estrada de Roger na música quanto a público e produção.

“O aniversário que virei DJ” e a Borracharia

Ele nos contou um fato curioso de seu início como DJ. No aniversário de 40 anos de uma amiga, ele brincando, disse que só iria se fosse o DJ da festa. E no dia, lá estava ele com os vinis e duas vitrolas. A festa foi um sucesso e e ele não parou mais.

Já o início de forma profissional como DJ, se deu ao receber o convite do DJ Luis Santana para que ele discotecasse na tradicional Borracharia – famosa casa noturna da cidade, com ar pitoresco e que de dia funciona como uma autêntica borracharia. De lá pra cá já são 15 anos como DJ da casa.

Sem preocupação com estilo musical + inovação nas boates da cidade

Hoje um DJ eclético é a tendência nas baladas soteropolitanas, mas Roger diz que os eventos na Borracharia no início dos anos 2000 ajudaram a criar essa cultura.

A Borracha inaugurou na cidade a oferta de ritmos variados. As casas de balada tocavam basicamente um estilo, a discotecagem de Dance. Eu cheguei com minha coleção de vinil, tocava de Jimi Hendrix a Jackson do Pandeiro, sem nenhuma preocupação musical”

As experiências e seus aprendizados

Perguntando sobre momentos inusitados que marcaram seu caminho na música, Roger destaca dois eventos distintos. O primeiro, O Universo Paralello (um dos maiores e mais antigos festivais de música eletrônica e contra-cultura do Brasil e do mundo, que ocorre na Praia de Pratigi na Bahia), foi uma loucura, onde ele após ter tocado na Borracharia em Salvador, viajou para o evento, chegou praticamente na hora de tocar, quase de manhã, dormiu no chão em uma sombra e logo depois voltou pra Salvador. Pra ele, o ambiente totalmente diferente do que é acostumado fez com que a experiência tenha sido marcante. Além disso, ele destaca como foi gratificante tocar após a Mundo Livre S.A, banda que em Salvador foi lançada por ele.

Já o segundo relato foi de um momento de muito aprendizado. Ele foi contratado para tocar em um evento de Réveillon na praia, mas não sabia que o público que ali estava era completamente diferente do que ele toca. Foram muitos minutos de vaias, onde ele se manteve paciente e fez o seu som sem abaixar a cabeça.

Remixar

A produção de remixes é por onde está parte da dedicação do DJ Roger N Roll no momento. Ao lado do músico e produtor André Santana, estão mergulhados em estúdio para produzir material de qualidade e que em breve poderemos escutar.

Instagram: @rogernroll 

 

DJ Moara

DJ Moara Brandão – Foto: Pedro Gabriel

Moara Brandão tem 29 anos e seu interesse por música surgiu aos 14, quando começou a tocar violão. Na verdade ela diz que foi um processo natural, já que seu pai é um multi-instrumentista e toda a família sempre foi muito musical, reunindo-se até hoje para uma boa “batucada”. Já a sua aproximação com a música eletrônica surgiu após conhecer a Eletrocooperativa (instituto que oferecia cursos de produção musical, audiovisual e discotecagem para jovens). Lá, com DJ Môpa, ela se apaixonou pela discotecagem e teve o primeiro contato com a música eletrônica.  Na época, tocou em festinhas da própria Eletro e no que mais surgia ali no Pelô. Logo depois, entrou na faculdade de Publicidade e Propaganda, começou a trabalhar em TV e a música foi ficando de lado. Em 2015 Moara voltou a esse universo com a banda Zé Bunitinho, fazendo voz, guitarra e violão, numa releitura divertida de clássicos da música brega (deram um break e em breve voltarão à ativa).

Old Hits e destaque

Pode-se dizer que Moara surgiu com mais destaque no cenário de discotecagem soteropolitano ao idealizar a Old Hits, festa retrô dos anos 90 e 2000, ao lado dos produtores Andrezza Feitoza e Danilo K (também DJ).

A Old Hits é um sonho realizado. Produzi-la foi um dos meus maiores desafios e aprendizados. Continua sendo. Além das correrias de produção, tenho um trabalho de pesquisa sobre as tendências musicais dos anos 90 e 2000, que é minha parte favorita. Até porque nasci exatamente em 1990 e tudo que vivo desde então tem uma trilha sonora. Ou seja, trabalhar na Old é revisitar minha própria história e todas as sensações da minha infância e adolescência. E o mais incrível disso tudo é, em cada música, ver nos olhinhos e sorrisos de cada um que temos tanto em comum”

“A Louca da diversidade”

É assim que Moara se caracteriza em relação ao seu repertório musical. Suas apresentações passeiam entre os ritmos, vai do samba de roda ao pop, dos clássicos axés antigos ao funk e sempre com muita música antiga pedida pelo público. Ela também nos conta uma experiência ímpar, que foi tocar na festa de aniversário do pai de santo de um grande amigo em seu próprio terreiro de candomblé. Lá ela descobriu que foi o presente surpresa desse amigo a seu pai, que em conversa contou que tinha ido à Old Hits e amado seu set, sem saber que seu filho é um dos melhores amigos dela.

Foi uma noite mágica e continuo a me sentir honrada por ter proporcionado e participado de algo tão bacana”

Instagram: @moarabrandaost

 

DJ Ian Fraguas

A música para Ian Fraguas ajudou no desenvolvimento da sua personalidade, principalmente na adolescência. E já nessa fase da vida, antes dos 15 anos, ele era aquele rapaz que adorava chamar os amigos e fazer festas em casa. O tempo foi passando, as festas foram aumentando de tamanho e a partir daí os convites para tocar nas boates de Salvador foram surgindo. E como um produtor nato, inclusive o mix perfeito pra Ian é produzir todo o evento, cada detalhe e levar toda sua energia em forma de música ao tocar para as pessoas ali presentes.

“As músicas escolhidas dependem do meu estado de espírito do momento, mas o que predomina são as tropicais, a música baiana”

Ian costuma planejar todo o seu set musical de acordo com o perfil da festa, mas diz que não se prende ao pré determinado. Sente o clima durante a festa e faz alterações conforme o tempo vai passando.

Agora uma coisa que ele frisa é a predominância da música tropical, aquela “pegada” brasileira e sem sombra de dúvidas, a música baiana:

Eu gosto muito de música baiana, a minha festa é de música baiana (Back in Bahia), é uma vertente que sempre que possível, não falta no meu set. Inclusive, eu acho bem importante disseminar isso, as boates também são lugares para se conhecer músicas e tem muita coisa boa que sai daqui. Eu amo fazer isso das pessoas conhecerem músicas novas ou de relembrarem aquelas esquecidas”

Festival Combina MPB, Caetano Veloso e Back in Bahia

Falando sobre momentos marcantes como DJ, Ian destaca três:

1- O primeiro foi Festival Combina MPB no final de 2017, evento organizado por Flora Gil e que ele abriu para vários artistas que admira, como Daniela Mercury, Gilberto Gil, Baiana System.

Foi um acontecimento marcante pra mim, estar em um evento pra tocar música baiana e todos os artistas baianos estarem lá, eu ficava até meio sem jeito, fiquei enlouquecido, mas foi muito divertido”

2- O segundo acontecimento é tocar pela segunda vez no Réveillon na casa de Caetano Veloso, seu conterrâneo de Santo Amaro e ídolo. Sonho realizado!

DJ Ian Fraguas e Caetano Veloso

3- Ele não poderia deixar de falar da sua festa, a Back in Bahia, toda voltada para música baiana, firmando a cultura musical da terra e que já é presente em Salvador desde 2016.

Intagram: @ianfraguas

 

DJ Vaz

Nosso Auê: Como surgiu seu interesse pela música e consequentemente se tornar DJ?

DJ Vaz:  Tenho envolvimento com música desde que me reconheço por gente, participando de rodas musicais com meus pais e visitas em casa. Creio que o interesse foi vindo naturalmente. Frequento muitos eventos com DJs e admirava aquela relação entre a pessoa direcionando a musicalidade e o público respondendo na pista, queria fazer aquilo. Iniciei participando de festas em São Paulo e, ao retornar a Salvador, continuei me metendo nisso. Participei da criação do Tropical Baiana e da Vitrolagem – discotecagem com vitrolas e vinis.

Nosso Auê: Quais estilos musicais estão mais presentes em seus sets?

DJ Vaz: Costumo dizer que toco música baiana, nordestina e brasileira. E agora, com a festa própria (Venha Comigo e Dance), também pitadas de rock internacional e outros ritmos. Claro que os estilos e gêneros muitas vezes se misturam, é inevitável. E as pitadas de outros ritmos são para que DJs convidados possam ter a liberdade de expor outras coisas.

Nosso Auê: Cite alguma das festas mais importantes que participou/participa.

DJ Vaz: Muitas vezes abro shows em eventos, toquei em algumas edições da Back in Bahia, que é uma festa que eu adoro, na Feira do Vinil e tenho sido o DJ do Sofar Sounds. Gostei muito quando abri o show de Los Sebozos Postizos no Largo Tereza Batista, no Pelourinho. Fora de Salvador, foi especial tocar nas festas Pilantragi e Samba do Sol, em São Paulo, e também na clássica Terça do Vinil, em Recife.

Nosso Auê: Conte sobre um acontecimento diferente ao tocar em um evento, algo que te marcou.

DJ Vaz: Foi muito legal acompanhar a programação do Mercado Iaô, na Ribeira, fazendo a Vitrolagem, abrindo para os shows de Margareth Menezes, que teve como convidados Lenine, Baiana System, As Ganhadeiras de Itapoã, Carlinhos Brown, entre outrxs. No dia de Maria Bethânia, nós acompanhamos toda a entrada dela no local tocando no vinil “Carnaval dos Baianos”, aquela canção que diz “foram me chamar, eu estou aqui o que é que há”, versão dela mesma cantando. O povo no mercado foi atrás da van dela em procissão cantando junto. Algumas pessoas até vieram depois cumprimentar por proporcionar aquele momento.

Nosso Auê: Quais os próximos passos como DJ?

DJ Vaz: O projeto mais recente é a minha festa Venha Comigo e Dance, que teve sua estreia agora em janeiro de 2019. Ainda é um bebê e agora preciso dar de comer e criá-la para crescer forte e saudável.

Instagram: @adrianovazpraonde

O Nosso Auê agradece os DJs pela presteza e reforça que o cenário é muito maior. Tem muito DJ bom em Salvador. E você, quem curte, quem sugere?

Carlos Sena

Soteropolitano, Relações Públicas de formação, da política ao mundo privado como experiência e cervejeiro apaixonado por futebol, comida de boteco e muita pimenta!


1 comentário

  • Rose Brandao

    14 de fevereiro de 2019 às 22:45

    Adorei a matéria sobre DJs e seus repertórios, sua história com a música e a forma como a tratam! Parabéns

    Responder

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