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Documentário Quarto Camarim será exibido hoje (27)

Longa mostra reencontro entre a diretora e um tio que se tornou travesti e não se encontravam havia 27 anos

O documentário Quarto Camarim, dirigido por Camele Queiroz e Fabricio Ramos, será exibido em sessão única nesta terça-feira  às 19h, no cinema Saladearte da Ufba, com entrada gratuita. Após a sessão, o público participa de debate com os diretores, com mediação de Djalma Thürler, especialista em gestão e políticas culturais pela Universidade de Girona (Espanha).

No filme, a diretora vai reencontrar um tio dela, Roniel, que ela não vê há 27 anos. O tio agora é a travesti Luma e trabalha como cabelereira e performer.Nesse reencontro, a diretora questiona se essa busca acontece por razões afetivas ou se limita ao objetivo de fazer um filme. O afeto entre ambas vai se manifestando aos poucos, tensionado pelas conversas sinceras.

Antes de chegar ao país, o longa-metragem havia sido projetado somente em festivais internacionais no Canadá (Vancouver), Venezuela (Ilha de Maragarita) e República Dominicana (Santo Domingo).

Narrativamente, as próprias tensões da relação entre sobrinha e tia constituem a estrutura da obra, tendo em vista que Luma, às vésperas de iniciar as filmagens, desiste de participar do filme para depois aceitar novamente. Por isso, na fase inicial do longa, essas tensões se revelam na forma de lacunas e buscas paralelas da diretora, diante da ausência da tia.

À medida que a narrativa avança, entretanto, assume uma crescente e sutil afetividade que se revela nas opções estéticas de Camele. O filme adquire, então, outros contornos dramáticos e estéticos, pondo em diálogo as representações da memória da diretora sobre o tio com a personalidade de Luma, e encantando-se com a sua performance íntima e seu caráter firme e nômade.

“Luma conta que foi, se não a primeira, uma das primeiras travestis a usar saia nas ruas de Feira de Santana (BA), árida em vários sentidos, geográficos e simbólicos, mas mesmo assim, uma cidade que teve momentos culturais marcantes, especialmente no campo da poesia e do cinema”, fala Camele.

Com isso, a diretora conta que, metaforicamente, viu Luma reunir a resistência e aridez do local com a vivacidade que marca a cidade em que nasceu e cresceu. “Para mim, ela se tornou um exemplo de coragem, que acabou por me inspirar por conta de sua forma de encarar as mudanças e os desafios da vida, mesmo os mais difíceis, sempre com altivez e confiança.”

“Fazer o filme me transformou. Talvez tenha transformado também a Luma, em algum aspecto, eu creio firmemente que sim”, revela Camele, que acredita essa ter sido uma de suas experiências mais marcantes e intensas, principalmente do ponto de vista da relação entre obra e vida. Quarto Camarim é uma obra que mostra um reencontro entre duas sensibilidades, de diferentes gerações e vivências.

“O fato de Luma ser travesti traz à tona dimensões sociais e políticas complexas no campo da sexualidade, das diferenças de classe, dos afetos familiares, do preconceito violento e de questões de gênero”, afirma Camele. “Porém, a abordagem escolhida por mim e por Fabricio Ramos se situa no limite das relações entre estética e política, propõe ao espectador uma experiência cujo sentido e importância ele mesmo deverá procurar.”

Fonte: Correio 24 Horas

Carlos Sena

Sou Soteropolitano, Relações Públicas de formação, Político de opinião, Cervejeiro apaixonado por futebol e Pimenteiro como bom Baiano.


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